Encher os pneus com um gás especial e esquecer a calibragem por meses. A ideia parece boa demais para ser verdade, e é mais ou menos isso mesmo. O nitrogênio no pneu tem vantagens, só que talvez não sejam as que você imagina. Vamos por partes, sem complicar.
Como o nitrogênio age, de um jeito simples
Primeiro, uma surpresa: o ar que a gente respira já tem cerca de 78% de nitrogênio. Quer dizer que ele já está dentro dos seus pneus agora mesmo. O que as máquinas de nitrogênio fazem é deixar esse gás quase puro, perto de 95%, e tirar a umidade.
E daí? Três coisas mudam. As moléculas do nitrogênio são um pouco maiores, então escapam mais devagar pela borracha, e o pneu fica calibrado por mais tempo. O gás também aguenta melhor o calor, mantendo a pressão estável quando o pneu esquenta na estrada. E, por ser seco, ajuda a evitar ferrugem na roda e no sensor de pressão.
Na prática, faz tanta diferença assim?
Aqui mora a verdade. A Consumer Reports fez um teste de um ano com 31 modelos de pneu, um cheio com ar e outro com o gás. No fim, o pneu com nitrogênio perdeu cerca de 2,2 libras, e o com ar comum, 3,5 libras. Traduzindo: pouco mais de uma libra de diferença ao longo de doze meses inteiros. Quase nada. A agência de trânsito dos Estados Unidos, a NHTSA, também testou e viu efeito mínimo ou nenhum sobre o consumo de combustível.
Quanto custa e onde achar
No Brasil, encher com nitrogênio costuma sair entre R$ 10 e R$ 20 por pneu, enquanto o ar comprimido é de graça ou quase isso na maioria dos postos. Tem outro detalhe: nem todo posto ou oficina oferece o serviço, o que atrapalha na hora de completar a pressão durante uma viagem. E o mais importante de tudo: mesmo com o gás, você ainda precisa olhar a calibragem de vez em quando. Não existe enchimento mágico que dispense atenção.
Quando realmente vale a pena
Existe, sim, uma situação em que o investimento compensa, só que não é o carro que vai até a padaria. Onde a pressão precisa ser exata, o nitrogênio brilha. Por isso os aviões usam o gás, a Fórmula 1 e a NASCAR usam, e as operações pesadas se beneficiam dele, porque ali cada detalhe conta para a segurança e o desempenho.
E para o seu dia a dia?
Para quem roda na cidade e mantém os pneus calibrados, a vantagem é pequena demais para o preço cobrado. O recado dos especialistas é honesto: dá para usar o gás sem problema nenhum, mas ele não substitui a verificação regular da pressão. Seu dinheiro rende mais investido em pneus de qualidade e numa calibragem a cada quinze dias com ar comum. No fim, o que deixa o pneu seguro e econômico não é o que está lá dentro, e sim a pressão certa, sempre.
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